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Segunda-Feira, 19 de Fevereiro de 2018 14:52

SAÚDE

Casos de AIDS em adolescentes aumentam 7.000% em 5 anos no Estado

O exame rápido para HIV foi fator preponderante para aumento das detecções de novos casos.
Casos de AIDS em adolescentes aumentam 7.000% em 5 anos no Estado ( Foto: Reprodução )

L., 16 anos, como quase todo adolescente acredita que sempre será jovem e saudável, está mais preocupado com o agora e não dá muita bola para ‘papo chato de adulto’ sobre saúde. Para ele, a Aids é uma doença como outra qualquer, não mais a sentença de morte que os jovens das décadas de 80 e 90 aprenderam nas escolas, com as campanhas de saúde mais duras e a morte de artistas como Cazuza, pela doença. Mas o que L. desconhece é que os casos de HIV na faixa dos 14 aos 25 anos explodiram em Mato Grosso passando de 6 casos em 2012 para 439 em 2017, um aumento de 7.316%.

Contudo, o mais preocupante são os registros da Aids, que é a doença propriamente dita, quando o vírus HIV passa a fazer estragos no corpo. Se em 2012 foram registrados 89 casos em 2017 esse número saltou para 110. O mais assustador são adolescentes com 14, 15, 16 e 17 anos já doentes, e o pior, eles não são vítimas da transmissão vertical, aqueles que já nasceram com o vírus. Eles contraíram o HIV por sexo sem preservativo. A associação do alto consumo de álcool, drogas e má alimentação entre esse público acelera o surgimento da doença, que poderia levar décadas para se manifestar.

“Adolescente com HIV no nosso banco de dados começa aos 14 anos e quando você puxa, vê que tem adolescentes já descobrindo HIV e a Aids. Geralmente, a Aids começa a aparecer aos 22 anos, quando a infecção foi na adolescência. Nos preocupa muito que eles estão adoecendo mais cedo”, explicou a coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Alessandra Moraes.

L. começou a vida sexual cedo. Com 13 anos teve relação sexual, apenas uma vez com camisinha, depois não usou mais. Entre os motivos para não comprar ou ir a um posto de saúde está a preguiça. “Ah, quando fui ver não tinha e vai assim mesmo. Na verdade, são poucos amigos meus que usam”. Questionado se os pais falavam com ele sobre sexo em casa, respondeu que não. A mãe sequer sabe que ele já tem relação sexual. “Fico sabendo dessas coisas é na escola ou com meus amigos”, reconheceu. L. também afirmou que não tem medo de Aids e não conhece ninguém da rede de relacionamentos dele que tenha a doença. A ilusão de que o vírus está bem longe dele dá essa falsa segurança.

“A Aids está vindo mais cedo porque os jovens estão iniciando a vida sexual muito cedo também. Estava analisando os dados de sífilis em Mato Grosso e encontrei um dado de sífilis num banco de adulto de um menino de 12 anos e aquilo me chamou a atenção. Liguei no município para saber se houve o lançamento errado, pensando que se tratava de sífilis congênita, transmitida pela mãe. Mas fui informada pelo município que não houve erro, o menino adquiriu sífilis por contato sexual”, explicou a coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Alessandra Moraes.

Ela aponta que os números também estão crescendo não só pelo comportamento sexual precoce dos adolescentes, mas porque os serviços de saúde aumentaram as testagens. O exame rápido para HIV foi fator preponderante para aumento das detecções de novos casos. Agora, passado o Carnaval, as unidades de saúde devem intensificar os testes.

30% de cobertura de vacina de HPV

De acordo com a coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Alessandra Moraes, os adolescentes pouco procuram o serviço de saúde e também os pais são reticentes sobre a sexualidade dos filhos. O resultado disso é a baixa cobertura vacinal contra o HPV, uma doença sexualmente transmissível (DST). “Nunca conseguimos cumprir a meta da faixa etária. Hoje temos 30% de cobertura vacinal, o que é muito baixo. Para ser boa devíamos vacinar 90% da população, e evita câncer no futuro.

A vacina é disponível para meninas de 9 a 14 anos, além de meninos de 11 a 15 anos.

“Falamos muito de HIV e Aids, mas esquecemos de outras doenças como sífilis, hepatite, as outras DSTs como a clamídia, gonorreia, síndrome do corrimento uretra feminino e masculino. São muitas doenças e o adolescente não se preocupa com isso. A menina não se preocupa com o corrimento que aparece e some. Surge um cancro no menino, que aparece e depois some, ele não se preocupa mais. Contudo, a sífilis é assim. Ela surge na primeira semana e depois some, mas dentro do organismo ela está causando um efeito que pode levar a neurossífilis”, alertou Alessandra Moraes.

Hoje a forma que a saúde pública tem conseguido atingir os jovens é por meio do Programa Saúde na Escola (PSE), em parceria com a Secretaria de Estado de Educação. Contudo, dentro dos eixos do PSE, o único obrigatório é o sobre prevenção à dengue. A abordagem sobre a sexualidade é optativa para cada município. Os profissionais da saúde também encontram outra barreira: os pais, que nem sempre apoiam esse tipo de assunto. “É fundamental falar sobre a sexualidade com os filhos, não é incentivar, é questão de saúde mesmo. Seja em casa ou na escola. É preciso debater o tema”, apontou a coordenadora.

Fonte: Hiper Notícias

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