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Sexta-Feira, 28 de Junho de 2019 09:52

Luta

Ativistas dizem que Mato Grosso é o Estado que mais mata LGBTs

Revolta nos EUA marcou a história do movimento no mundo; data é celebrada nesta sexta-feira (28)
Ativistas dizem que Mato Grosso é o Estado que mais mata LGBTs Rebelião nos EUA, há 50 anos, deu início a paradas LGBTs pelo mundo

Em Mato Grosso, cerca de 400 pessoas da comunidade LGBT foram assassinadas no ano passado, segundo dados apresentados na audiência pública 50 anos de Luta Pelos Direitos LGBTI+, que ocorreu na Assembleia Legislativa (ALMT), em Cuiabá, nessa quinta-feira (27).

“Mato Grosso, segundo as estatísticas apresentadas na audiência pública, é o Estado que mais mata LGBT no Brasil. É um número assustador”, afirmou o ativista Menotti Griggi.

Para Menotti, a estimativa é ainda mais significativa por ter sido apresentada um dia antes da celebração de 50 anos da Rebelião de Stonewall. Essa revolução, conforme o ativista, é um marco para a luta da população homossexual em todo o mundo.

“A partir desse momento histórico, começou a se pensar no movimento LGBT no mundo. Tanto é que no ano seguinte, 1970, foi realizada a primeira parada gay do mundo, em Nova York”, expôs.

“Toda a população LGBT começou a entender que era possível se organizar enquanto movimento e fazer reivindicações que eram necessárias naquele momento”, completou.

No dia 28 de junho, diversas cidades possuem um calendário de atividades para comemorar a luta da comunidade. Em Cuiabá, a Secretaria de Estado de Saúde realiza o 1º Encontro de Promoção da Saúde da População LGBTI: 50 anos de Luta por Visibilidade.

“A gente vai buscar uma discussão baseada na proposta de implantação da política nacional de saúde LGBTI, do Ministério da Saúde, que ainda não está sendo implantada em Mato Grosso”, explicou o servidor público Rodrigo Carvalho, que está na organização do evento. 

O seminário acontece no auditório da Escola de Saúde Pública, no Bairro Coophema, durante todo o dia e é gratuito.

De acordo com Rodrigo, a população LGBT se vê necessitada de um atendimento humanizado nas unidades de saúde. Ele ainda frisou a importância de dar voz à comunidade e entender as suas demandas.

“Ainda enfrentamos algumas questões relacionadas ao nome social. Eles ainda relatam que não encontram um acolhimento adequado como ser chamado seu nome social. É importante que a população esteja conosco. Precisamos ouvir o público alvo, as suas demandas diretamente. Porque, do contrário, acaba fazendo políticas públicas que não são eficazes”, afirmou.

Stonewall em confronto

Nos Estados Unidos, durante os anos 60, havia uma forte repressão aos homossexuais. Em alguns Estados, era proibido ser LGBT, de acordo com Menotti.

Ele conta que, em um Bairro de Nova York, havia um bar chamado Stonewall Inn, que era frequentado pela comunidade LGBT.

“A Polícia ia muito lá, fazia batidas quase que diárias, invadiam, batiam nas pessoas, subornavam. Era um terror”.

Cansadas de apanharem por ser quem eram, as pessoas decidiram fazer um levante e resistir aos ataques, no dia 28 de junho de 1969.

“Eles se uniram e fizeram um levante contra a Polícia. Foram muitos dias de conflito. Quando a Polícia chegou, eles realmente enfrentaram a Polícia. Houve um conflito violento, mas não houve mortes”, relatou o ativista.

Depois disso, diversos países passaram a realizar paradas da diversidade LGBT no dia em que a revolta ocorreu e a data se consolidou como um marco para a luta.

Hoje, São Paulo possui a maior parada LGBT do mundo. Somente neste ano, cerca de 3 milhões de pessoas participaram do evento.

"Stonewall cuiabano"

Menotti contou que, em 1999, realizou uma festa de halloween na Casa Cuiabana, no Bairro Bandeirantes, na Capital.

Ele lembra que tinha cerca de 400 pessoas naquela noite e, por volta de meia noite, diversas viaturas da Polícia Militar chegaram ao local.

“Chegaram vários carros de Polícia com fiscal, com gente da prefeitura. Eles invadiram a casa e fecharam a minha festa”, disse.

Ele conhecia uma pessoa que possuía uma casa de eventos e pediu para transferir a festa para o novo local. Foi quando o ativista se surpreendeu com a união da comunidade LGBT.

“Em 30 minutos, a gente conseguiu mobilizar todo o público da festa, a gente conseguiu desmontar decoração, bar, som. Levamos para esse outro espaço e continuamos a festa em um espaço privado e foi até 8 horas da manhã”, relembrou Menotti.

Menotti ainda disse que a cena de quase uma multidão subindo a pé a Avenida Getúlio Vargas vai ficar para sempre em sua memória. Neste dia, ele percebeu que os LGBTs poderiam conquistar todos os direitos que lhe são necessários.

“Eu lembro que eram muitas pessoas subindo a Getúlio Vargas, todas fantasiadas de duendes, fadas, foi um momento lindo. Foi um momento que, para a minha história de vida e da cena LGBT, foi um marco, porque aquele dia eu tive certeza que a gente unida conseguiria todas as coisas que a gente conquistou até hoje. Nós não estamos sozinhos”, afirmou.

Fonte: Mídia News

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